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Reinventar o Jogo da Malha (Texto de: Carlos Machado - 2011)

06-04-2013 20:11

 

02 Junho 2011

REINVENTAR O JOGO DA MALHA

 
O jogo da malha, do fito ou chinquilho é um jogo tradicional português. Tipicamente português, digo eu.

O terreno de jogo pode ser qualquer, não precisa ser plano e até se pode jogar em terrenos inclinados; podem improvisar-se os instrumentos do jogo arranjando dois paus (pinos - mecos, como se diz na minha terra) que se sustentem na vertical e duas pedras achatadas (malhas); e, fundamental, as regras são simples: derrubar o pino, 4 pontos, malha mais próxima 2 pontos, ganha o primeiro jogador,ou equipa, a somar 45 pontos. Além de tudo isto pode ganhar sem atingir um dos objectivos que exige o máximo rigor e precisão.

Daqui se depreende que é um jogo que pode ser improvisado (já o joguei às escuras)e que pode ser ganho sem uma única vez se obter a marca máxima, 4 pontos por derrube do meco. Basta pontuar por aproximação (do meco). E é isto que o torna tipicamente português: improvisamos e ficamos satisfeitos pela aproximação ao objectivo.

Os nórdicos que têm um jogo semelhante, o mais chato que se conhece, o curling, jogado com uma "espécie de panelas" e umas vassouras, eliminaram o pino e mantiveram-se apenas pela aproximação de um ponto fixo, sendo possível, propositadamente, afastar a "panela" do adversário (na malha também pode acontecer, mas por mero acaso). Suponho que para um nórdico seria impensável colocar um pino que não fosse forçosamente para derrubar e que nâo fosse esse o êxito do jogo.

Os portugueses estabelecem grandes objectivos, mas depois inventam subterfúgios para vencer o jogo sem executar a tarefa mais desafiadora. Contentam-se com a aproximação, com as notas médias na escola,com os apuramentos à tangente, com segundos lugares, os dez primeiros.

O rigor de todos e da cada um de nós no cumprimento de regras de um outro jogo mais exigente, complexo, preciso e que não admita facilitismos para o vencer, é o remédio para o êxito de Portugal. Para tanto não é preciso passarmos a jogar o bridge ou o whist, basta (e não é pouco) urgentemente reinventar o jogo da malha.